A dieta da caverna

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Este é um tema controverso! Uma dieta que reúne argumentos a favor e contra, mas já recomendado por diversos especialistas…apesar de muitos também mostrarem o seu desagrado.

 

Será que para nos mantermos saudáveis e evitarmos a obesidade e as doenças que lhe estão associadas devemos regressar ao passado, a uma dieta da idade da pedra e baixa em hidratos de carbono? A verdade é que os adeptos da paleodieta são cada vez mais…

O que é a paleodieta?

A paleodieta (também conhecida por dieta paleolítica, da caverna ou da idade da pedra) baseia-se no consumo de plantas e animais selvagens, semelhante ao que terá sido a dieta dos nossos antepassados, há cerca de 10.000 anos atrás. Quem segue esta dieta acredita que o nosso organismo está geneticamente programado para seguir uma alimentação semelhante à dos nossos antepassados paleolíticos.

Os defensores dizem que esta é a dieta biologicamente apropriada e a mais adequada, com o equilíbrio adequado de nutrientes para promover a saúde e reduzir o risco de doenças crónicas.

Esta dieta é baseada em alimentos que podem ser caçados, pescados e que podiam ser adquiridos na era do Paleolítico – carne, peixe, marisco, ovos, frutos secos, vegetais raízes, frutas e frutos vermelhos. Contudo, é impossível seguir uma dieta paleolítica à regra, visto que a caça selvagem não está disponível como antigamente, os alimentos vegetais dos dias de hoje são cultivados e as carnes são domesticadas. Assim sendo, na melhor das hipóteses, consumimos uma versão modificada da dieta original – que não contém glúten e inclui carnes magras, carnes biológicas, peixe, aves, ovos, legumes, fruta e frutos secos. Não existem produtos lácteos, cereais, açúcar, leguminosas, batatas, óleos processados, sal, bebidas que não a água ou chá verde biológico ou qualquer alimento que tenha surgido depois da agricultura se iniciar.

Os pilares da paleodieta

  • Deve ser consumida uma maior quantidade de proteínas animais do que a aconselhada noutras dietas, principalmente carne magra, vísceras, peixe, marisco e aves;
  • Não consumir hidratos de carbono provenientes de cereais, batata, açúcares refinados e lacticínios;
  • Consumir muita fibra proveniente de frutas e verduras (que não sejam ricas em hidratos de carbono);
  • Ingerir uma quantidade moderada de gorduras (monoinsaturadas e poliinsaturadas);
  • Consumir alimentos com elevado teor de potássio e pobres em sódio;
  • Eliminar o sal da alimentação – umas gotas de limão são suficientes para dar sabor;
  • Consumir alimentos riscos em vitaminas, minerais e antioxidantes

A dieta da caverna

O que dizem os seus defensores

Loren Cordain, doutorada, professora na Universidade do Estado do Colorado e autora do The Paleo Diet, afirma que esta é uma dieta bastante saudável e que “os ensaios clínicos têm demonstrado que a dieta Paleo é a dieta ideal, que pode diminuir o risco de doenças cardiovasculares, de pressão arterial, marcadores de inflamação, ajuda na perda de peso, a reduzir o acne, a promover a saúde e no desempenho atlético”.

Têm sido publicados vários livros e artigos pelos defensores desta dieta e já foram criados vários sites para a promover que argumentam que a típica dieta ocidental de hoje é responsável pelos níveis epidémicos de obesidade, doenças do coração, diabetes, e muito mais.

Alguns especialistas defendem que o ser humano se terá adaptado a uma dieta mais ampla, incluindo alimentos lácteos, cereais integrais e leguminosas. Apesar de serem alimentos saudáveis, Loren Cordain afirma que “o genoma não se adaptou realmente a estes alimentos, podendo causar inflamação a nível celular e promover a doença”.

O que dizem os especialistas

Há muito que os especialistas em nutrição pedem que se siga uma dieta mais limpa e baseada em alimentos integrais, carnes magras, frutas e legumes e com menos açúcar, sódio e alimentos processados. No entanto, também pedem que se inclua alimentos lácteos com baixo teor de gordura, leguminosas e cereais integrais, devido à importância que estes alimentos têm numa dieta saudável e equilibrada.

Keith Ayoob, professor assistente na Albert Einstien School of Medicine, em Nova Iorque, afirma que “as pessoas que seguem dietas ricas em cereais integrais, feijão e baixo teor de gordura tendem a ser mais saudáveis porque esses alimentos são ricos em nutrientes e há imensas pesquisas sobre os benefícios que as dietas que os incluem (e não excluem) trazem para a saúde”.

A porta-voz da American Dietetic Association, Heather Mangieri, revela que “esta dieta tem alguns pontos que são ótimos, mas as limitações tornam-na uma dieta que as pessoas seguem, mas não podem manter, por várias razões, incluindo a falta de variedade e uma potencial inadequação de nutrientes” – devido à exclusão de certos grupos de alimentos.

David Katz, autor de Way to Eat, revelou à WebMD que “consumir mais alimentos naturais é muito melhor do que a típica dieta americana, mas não sabemos as consequências a longo prazo da paleodieta, comparativamente com uma dieta Asiática, Mediterrânea, Vegetariana ou qualquer outra”.

Consumir alimentos que não sejam processados está presente na maioria das recomendações de qualquer dieta saudável…tal como cereais integrais, produtos lácteos com baixo teor de gordura e leguminosas, pois contêm nutrientes que contribuem para uma dieta equilibrada. É verdade que é possível seguir a paleodieta e as suas regras, não ingerindo estes alimentos, mas isso requer um cuidadoso planeamento e suplementos, como cálcio e vitamina D. Contudo, não o faça sem primeiro consultar o seu nutricionista.

 

Fontes:

  • WebMD – “Diet Review: The Caveman (Paleo) Diet”
  • Super Interessante – “A dieta da caverna”

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