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Cabo Verde, à procura do paraíso Africano

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Cabo Verde, à procura do paraíso Africano

O que procuramos quando decidimos uma viagem de férias? O local? Praia? Aventura? Cultura? Desportos náuticos? Descanso?

 

A resposta varia muito, e sobretudo depende do estado de espírito na altura da decisão. A minha última escolha foi, literalmente, conhecer o paraíso Africano.
A decisão foi tomada em minutos e foi consensual. Eu e a minha amiga, companheira de longa data nestas aventuras, acertámos de imediato o destino, datas e hotéis. Quando o espírito é o mesmo, não há grandes desacordos… razão pela qual, os companheiros de viagem devem ser a escolha mais ponderada a tomar nestas situações pois vão ser a nossa companhia durante os próximos dias num sítio longe, numa cultura diferente, onde se espera sempre algum imprevisto e onde a responsabilidade, o companheirismo, a compreensão e o sentido de humor devem imperar a todo o custo!
E lá partimos as duas, numa tarde de Março, na nossa aventura por Cabo Verde.

Após 3 horas de viagem, desengane-se quem espera encontrar uma noite quente e húmida….não. A cidade da Praia, na ilha de Santiago, recebeu-nos com uns amenos 15ºC e um vento arrojado, mas também com uma dezena de sorrisos rasgados dando boas vindas ao seu país.
Depois de jantar numa esplanada acolhedora perto do Hotel de Santiago um saboroso peixe grelhado acompanhado por umas cervejas bem fresquinhas (12€/pax), fomos conduzidas por um taxista, o Sr. Morgadinho, a um bar com música ao vivo. Quem vai a Cabo Verde e não vê, dança e ouve umas mornas? Fomos conduzidas ao “Fogo de África”.

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Bar Fogo de África

Uma mistura quente de sons provindos do violão, do cavaquinho, do baixo e sobretudo da rebeca (um tipo de violino) transformaram aquele modesto lugar numa pista quente de dança onde os goles nas cervejas Strelas Kriolas eram as únicas pausas de refresco até novo convite para dançar. E como eles dançam…!

Boa Vista era o nosso próximo destino, e o principal, onde as praias e os desportos náuticos são as suas grandes atracções. Partimos no dia seguinte.
O Hotel eleito ficava perto da vila de Sal-Rei. Apesar de não ser o melhor em termos de hotelaria, foi sem dúvida a melhor escolha, já que nos possibilitou ir frequentemente a pé à vila. E assim, lá íamos, após umas manhãs de praia ao sol, bem quente, mas cuja temperatura era disfarçada pelas rajadas de vento do Atlântico, conhecer o verdadeiro mundo cabo-verdiano.

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Praia de David

No caminho de 15 min a pé, junto à praia, podíamos ver construções novas a tapar bairros de lata em extensões de terra árida, onde crianças e jovens apareciam sempre bem-dispostos e com um sorriso na boca. Os “Olás” eram constantes, ou para nos conhecerem, ou para nos apresentarem as suas lojas de artesanato, ou simplesmente por simpatia.
Na vila de Sal-Rei, existe uma praça, a única praça, onde se pode comer um belo queijo de cabra gratinado acompanhado por uma cerveja Strela por 5€ na Esplanadas Silves. Tudo se passa ali, é o ponto de encontro de toda a gente e é ali que se sabe qual a festa nessa noite. Sim, não há noite sem festa para os Cabo-Verdianos.

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Imagem Boa Vista

Desde música ao vivo, a concertos no Poli-Desportivo de Sal-Rei (NOTA: Tudo o que está marcado para uma hora, começa sempre no mínimo 2horas depois!!), a uma noite de Mojitos na Cocoa, até à noite de reggae no bar Morabeza . Há sempre animação em algum lugar. Os homens, a maioria bem constituídos mas bastante simples e descontraídos, a contrastar com a super produção das senhoras, desde o cabelo aos sapatos altos, sem esquecer as mini-saias travadas que lhes faziam enaltecer as formas sensuais, saem à noite com ou sem filhos ao colo.

Cabo Verde, à procura do paraíso AfricanoTínhamos decidido que as reservas nos Hotéis seriam apenas com pequeno-almoço para podermos explorar os sítios e os sabores Cabo-verdianos, sobretudo ao jantar. De início, as escolhas dos locais não foram fáceis por total desconhecimento. Porém, ao longo da nossa estadia, acabámos por ir apurando o sabor e baixando o custo para as carteiras. Depois da primeira noite, quando pelo aspecto, fomos atraídas para um restaurante italiano, Maresias, para comer um parco filete de peixe serra grelhado e pagar cerca de 20€, percebemos que, assim como os cabo-verdianos, o melhor está escondido. (valeu-nos a conversa com o empregado italiano, que nos deu um rol de sugestões para fazer em Boa Vista).
O restaurante no Porto foi uma excelente escolha, pois para além da simpatia no atendimento do Tuéli e da Rosi, com quem aprendemos algumas frases em criolo, a comida era boa, farta e bastante acessível (10€/pax).

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Camarão grelhado – Restaurante Porto

No restaurante Nardi também fomos muito bem recebidas e servidas num espaço colorido e acolhedor (10€/pax), e por fim, e apenas na última noite, fomos à Marisqueira portuguesa, de um jovem português, o Tiago, onde comi a melhor lagosta de toda a minha vida! (20€/pax)

No último dia, tínhamos agendado com um dos taxistas, o Samu, e o seu amigo polícia, o Carlos, que conhecemos num dos regressos ao Hotel de taxi, (sim, porque ao contrário de dia, quando se pode andar a pé à vontade, de noite as estradas solitárias são propensas a assaltos), fazer um tour pela ilha no seu Jipe vermelho todo ornamentado à S.L. Benfica (tour: 60€/4 horas).
Começámos pelo Cabo de Santa Maria, a Norte da Ilha da Boa Vista, onde se pode ver, numa praia linda mas com mar revolto, um navio pirata naufragado na costa. Reza a história que os piratas não eram os que iam no barco, mas os que estavam em terra, pois, propositadamente, à chegada dos navios desligavam o farol do porto para estes naufragarem e consequentemente assaltarem-no.

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Bar Morabeza

Após alguns saltos e corridas pelas dunas, seguimos para o nosso destino final, a Praia de Santa Mónica. Uma extensão de areia branca de 18 Km no Sul da Ilha que contrasta com um mar azul claro a uma temperatura de 24ºC.  Aqueles mergulhos não podiam ter sabido melhor!

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Deserto de Viana

A viagem na Ilha da Boa Vista terminou ao 7º dia, tendo nós seguido para as ilhas a Norte. Na ilha do Sal, parámos apenas para almoçar na vila de Espargos, uma bela salada de queijo de cabra no restaurante Caldeira Preta, bom aspecto e preços acessíveis (8€/pax). Seguimos finalmente para o nosso último destino, a ilha de S.Vicente, Mindelo.

Fomos acolhidas gentilmente na Casa Café Mindelo, mesmo no centro da cidade, junto à Marina. Uma Guest House gerida por portugueses apaixonados pela cultura cabo-verdiana. Dos quartos, muito bem decorados, tínhamos uma vista fantástica para a marina, onde se podia contemplar o contraste das luzes, o mar, os barcos com as cores amarelas, cor-de-rosa e azulão das casas na cidade.

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Quarto- Casa Café Mindelo

No nosso último jantar em Cabo Verde arriscámos em ir a um dos restaurantes mais típicos da zona e acabámos por ser levadas ao restaurante Pica-Pau, que apesar de ficar a poucos metros da avenida principal, situava-se numa das zonas mais perigosas do Mindelo. Valeu a pena o risco, o atum grelhado estava divinal, a juntar à simpatia no atendimento e à decoração do espaço (11€/pax).

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Restaurante Pica-Pau

O 8º dia chegou e a hora do regresso também. Uma sensação agridoce assolou-nos… se por um lado, estávamos cansadas, pois foi uma verdadeira aventura, por outro sentíamos já a nostalgia de não voltar a ver aquelas cores, aqueles sons, aqueles cheiros e aqueles sorrisos… ficando apenas a promessa de um dia lá voltarmos!