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Compulsão por compras

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Compulsão por compras

A compulsão por compras é uma doença e deve ser tratada, recorrendo à ajuda de especialistas.

 

Esta é uma doença que os psiquiatras classificam como “dependência de comportamento” e cujo tratamento se baseia em psicoterapia, através da qual o paciente é ajudado a entender como a relação de dependência se iniciou.

Léa Michaan, psicanalista, afirma que gastar dinheiro em compras pode tornar-se um vício, explicando que “A compulsão é um impulso para aliviar a falta de algo e no instante em que adquirimos alguma coisa sentimos um pequeno alívio, mas o que nos falta de verdade (…) é sim algo de outra ordem: talvez intelectual, afetiva, produtiva, profissional, sensitiva, desenvolvimento emocional, mental, etc. Porém, como não entramos em contacto com nós mesmos, não sabemos o que é que nos falta. E, assim, caímos na armadilha de comprar compulsivamente. Isto acontece porque quando tocamos em algo desejado o nosso organismo liberta momentaneamente uma pequena quantidade da hormona do prazer (serotonina) e isto traz um breve prazer no qual podemos viciar-nos. Assim como fumar, consumir drogas, álcool, jogar, etc.”.

Um estudo publicado em 2012 na revista científica Annals of Clinical Pschiatry, e levado a cabo por investigadores de Minnessota, nos EUA, revela a memantina (uma substância atualmente usada para o tratamento de portadores de Alzheimer) como possível tratamento em casos de pessoas que sejam diagnosticadas como compradoras compulsivas.

Durante esta investigação, nove pessoas receberam doses dessa substância durante um período de oito semanas, tendo apresentado, em média, uma diminuição de metade dos seus sintomas de compulsão. André Felicio, neurologista, explica que são necessários estudos mais abrangentes, mas afirma que esta investigação pode ser o ponta pé de partida para que a memantina comece a ser considerada no tratamento de casos de compulsão por compras. Contudo, o neurologista explica que, apesar do estudo ter sido realizado com compradores compulsivos, o desenvolvimento de um medicamento trataria, muito provavelmente, outras dependências de comportamento. “Seria pouco provável que a medicação fosse lançada para apenas um tipo de patologia do controlo do impulso, já que todas elas têm um fundo neuropsiquiátrico e neuroquímico semelhante”, afirma.

Compulsão por compras

No entanto, os especialistas não se mostram crentes no facto de que o tipo de tratamento aplicado aos pacientes se alteraria com a existência de um medicamento. Aberbal Vieira Júnior, psiquiatra, esclarece que “a dependência é um comportamento que tem história, tem um sentido, um propósito, não é um “fusível” que quebrou no cérebro e a pessoa faz essa coisa porque a sinapse dela adoeceu, a dependência é uma relação que você estabelece com alguma coisa, por isso, a espinha dorsal do tratamento é a psicoterapia”.

Léa Michaan afirma que já atendeu diversos pacientes que não conseguiam controlar os seus gastos, tendo recebido uma compradora compulsiva que “(…) curou-se da compulsão conforme pude apresentá-la a si mesma. Ela foi conhecendo-se melhor e, consequentemente, entrando em contacto com as suas verdadeiras carências, desejos e necessidades. Hoje ela gosta de comprar, mas, antes de se deixar hipnotizar por uma montra, ela olha para dentro de si mesma e questiona-se sobre o seu verdadeiro desejo. O que lhe trará, de facto, algum sentimento de plenitude e realização.”.

 

Fontes:

  • Psicóloga Responde – “Compulsão por compras”
  • Samanta Dias – Compulsão por compras precisa ser tratada com remédios?”