Início Acontecimentos Dois pacientes livres do vírus do HIV

Dois pacientes livres do vírus do HIV

146
0

Dois pacientes estão aparentemente livres do vírus do VIH após transplante de medula óssea.

 

Foi anunciado, na última conferência anual da SIDA em Kuala Lumpur, que dois pacientes infetados com o vírus do HIV, e que tinham sido sujeitos a um transplante de medula óssea em Boston, EUA, estão, até agora, livres do vírus da SIDA deixando de tomar os medicamentos retrovirais que lhes tinham sido receitados. Além do HIV, os pacientes tinham também linfoma.

Esta comunicação faz relembrar Timothy Ray Brown, que, depois de receber um transplante de medula óssea para tentar tratar a sua leucemia, está livre do vírus da SIDA há cinco anos. No entanto, o caso de Timothy Brown é uma particularidade, visto que o transplante que recebeu vinha de alguém com um código genético bastante semelhante ao seu e que também era portador de uma mutação genética mais resistente ao vírus do HIV. Timothy Ray Brown é, por vezes apelidado de ‘a primeira cura para o HIV’.

Os ‘casos de Boston’ (como foram apelidados) estão a criar excitação e burburinho no mundo da investigação médica pois é mais um passo para uma possível cura para um vírus que afeta grande parte da população mundial, havendo já duas equipas de investigação a fazer experiências, recriando as células infetadas de pacientes. A Dra. Françoise Barré-Sinoussi, responsável por descobrir o vírus do HIV, afirmou que esta descoberta é ‘bastante interessante e animadora’.

Dois pacientes livres do vírus do HIV

A técnica usada nos casos de Boston, tão perigosa que é considerado imoral a sua prática em pacientes que não estejam, ou que não corram o risco, de morrer de cancro, passa por enfraquecer o sistema imunitário o mais possível antes do transplante ocorrer. A prática é tão perigosa que um terceiro membro acabou por falecer quando o seu cancro voltou, após o transplante.

Os dois pacientes que restaram estão sem tomar os retrovirais que faziam parte das suas rotinas diárias, há 7 e 15 semanas e, até à data da conferência, nem o vírus nem anticorpos do mesmo tinham sido encontrados no sangue ou em qualquer outro tecido; regra geral, quando se param os medicamentos, o vírus acaba por surgir em menos de um mês. Os pacientes foram operados entre dois a cinco anos atrás, e dizem sentir-se bem e a levar vidas completamente normais. Um dos médicos a supervisionar o caso diz que ‘pode voltar daqui a uma semana, ou daqui a seis meses. Só o tempo o dirá’.

Médicos, cientistas e investigadores não sabem bem quando aplicar a palavra “curado” a estes casos. Françoise Barré-Sinoussi prefere aplicar o termo ‘em remissão’.