Início Saúde Bem Estar Limpezas domésticas associadas à forma física

Limpezas domésticas associadas à forma física

170
0
Limpezas domésticas associadas à forma física

Parece que o crescente excesso de peso pode dever-se a uma diminuição do tempo despendido com os afazeres domésticos!

 

De acordo com o The New York Times, a revista científica PLoS One publicou este mês um estudo que surge no seguimento de um relatório de 2011 que utilizou dados do U.S. Bureau of Labor Statistics para determinou que, nos últimos 50 anos, os trabalhadores americanos passam mais tempo sentados nos seus empregos. Foi possível observar que a atividade física no local de trabalho (como andar ou carregar pesos) praticamente desapareceu, na medida em que os trabalhadores passam a maioria do seu tempo ao computador ou ao telefone e, consequentemente, os autores da investigação descobriram que o trabalhador americano está a queimar, em média, cerca de 150 calorias diárias a menos, comparativamente com os seus pais. Este facto contribui, naturalmente, para o aumento da obesidade nesse mesmo período de tempo (em particular os homens, segundo os autores).

Contudo, apesar de interessante, o estudo mostrou-se limitado, pois focava-se apenas em empregos formais e excluía uma grande parte da população, nomeadamente muitas mulheres, uma vez que, tal como refere Edward Archer, investigador da Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, e principal autor da nova investigação “há 50 anos atrás, a maioria das mulheres trabalhava em casa”. Assim sendo, e em colaboração com alguns dos autores do estudo anterior, Edward Archer decidiu analisar o modo como as mulheres ocupavam o seu tempo em casa e as possíveis alterações ao longo dos anos.

A informação necessária foi encontrada no American Heritage Time Use Study, que possui “diários da utilização do tempo” das mulheres desde 1965. Como o pretendido era avaliar como as mulheres ocupavam o seu tempo em casa em várias ocasiões, Edward Archer decidiu recolher os dados pertencentes tanto a mulheres empregadas como a não empregadas, analisando dados de 1965 a 2010. Foi analisado o tempo que as mulheres despendiam em diversas atividades, calcularam-se as calorias que teriam sido gastas na realização dessas tarefas e avaliou-se como essas atividades e o gasto de energia a elas associada teria alterado com o decorrer do tempo.

Limpezas domésticas associadas à forma física

Foi então possível observar que antigamente as mulheres eram bastante ativas em casa, passando, em 1965, uma média de 25,7 horas por semana a limpar, a cozinhar e a tratar da roupa, o que exigia um gasto considerável de energia. Foi também constatado que as mulheres empregadas não dedicavam tantas horas à casa quanto as que não tinham qualquer trabalho fora de casa.

Em 2010, passados quarenta e cinco anos, os dados revelaram mudanças dramáticas, com o tempo médio despendido com os afazeres doméstico a ter uma queda para 13,3 horas por semana. Mas, mais impressionante ainda, foi o facto de os diários mostrarem que as mulheres passavam muito mais tempo sentadas em frente a um ecrã quando estavam em casa. Em 1965, altura em que os computadores ainda não tinham sido inventados, as mulheres passavam cerca de oito horas por semana sentadas a ver televisão e em 2010 essas horas duplicaram para 16,5, revelando que, com o passar dos anos, os hábitos ativos foram trocados por ocupações sedentárias. Consequentemente, as calorias gastas em casa reduziram bastante – de acordo com os cálculos do autor, as mulheres americanas que não trabalhavam fora de casa, gastavam, em 2010, 366 menos calorias diárias, comparativamente com as mulheres de 1965, e as mulheres empregadas, em 2010, gastavam 132 calorias a menos por dia, comparativamente com as mulheres de 1965.

Edward Archer afirma tratar-se de uma enorme redução a nível de gastos de energia física e que esta resultaria, com o passar dos anos, e sem cortes nos consumos alimentares, num aumento de peso bastante significativo, acrescentando ser necessário encontrar formas de voltar a incluir o movimento nas horas passadas em casa.

O investigador esclarece que isto não significa que deva ser feito mais trabalho doméstico, até porque o esforço exigido, hoje em dia, na realização das tarefas é muito inferior, bem como isto não significa que passar mais tempo em casa o torne mais ativo. Um estudo realizado em 2012 que avaliou os hábitos relacionados com a televisão revelou que quando os homens aumentavam o tempo dedicado às lidas domésticas também aumentavam o número de horas gastas sentados em frente à televisão.

Edward Archer aconselha a que seja avaliado o modo como gastamos o nosso tempo quando estamos em casa e que não passemos tanto tempo sentados.

Vá às compras, ver o correio ou brinque com os seus animais de estimação, pois os dados revelam que mesmo em casa devemos estar em movimento.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui