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Mentiras: como afetam a sua saúde

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Não se deixe envolver em segredos e mentiras…no fim, tudo é refletido no seu bem-estar.

 

Mentir já se tornou algo banal e, segundo Rui Carreteiro, psicólogo clínico, as estatísticas revelam que mentimos cerca 200 vezes por dia, aproximadamente uma vez a cada cinco minutos.

Porque mentimos?

As mentiras estão presentes de diversas formas, dos falsos elogios às desculpas esfarrapadas, chegando às mentiras descaradas e pode surgir por diversos motivos: medo das consequências, insegurança (quando pretendemos passar uma imagem de nós próprios melhor do que aquilo que acreditamos ser), por motivos externos (devido a co-ação, autoridade superior ou pressão do exterior), para obter benefícios ou por razões patológicas.

Na infância a mentira é utilizada para nos isentarmos das culpas e na adolescência é útil para se conseguir o pretendido em diversas ocasiões, podendo até livrar-nos de responsabilidade e contribuir para a aceitação junto do grupo de amigos. Especialistas afirmam que, quanto mais inteligentes forem as crianças, mais cedo aprendem a necessidade de mentir – por exemplo, não se demonstram insatisfeitos com prendas oferecidas com medo de não receberem mais.

A sua frequência leva, então, à sua banalização e até a associar o ato de mentir a algo positivo, que facilita a integração na sociedade, sendo mesmo quem não mente catalogado como ingénuo.

É importante que, desde cedo, os pais consigam distinguir entre a verdade e a mentira, falando abertamente com as crianças e adolescentes sobre os aspectos negativos da mentira e as vantagens conseguidas por se contar a verdade. É bastante importante que em casa haja exemplos de verdade e honestidade para que seja fomentada uma atitude de sinceridade.

Nos estados neuróticos, a mentira tem como base a incapacidade da consciência aceder a acontecimentos recalcados presentes no nosso inconsciente ou a problemas de autoestima e autoimagem. Nas psicoses, a mentira surge na forma de delírio, como algo que, para as próprias pessoas, é verdadeiro.

Mentir pode ainda causar dependência, quando dita compulsivamente. Neste caso, as pessoas têm plena consciência de que estão a mentir, mas não se conseguem controlar ou evitar, sendo este processo semelhante ao vício do jogo ou à dependência de álcool ou de drogas. Esta incapacidade de controlar a mentira leva ao sofrimento, razão pela qual se deve procurar tratamento médico. Contudo, o primeiro passo é que a pessoa assuma o seu problema.

Mentiras: como afetam a sua saúde

Mentir é prejudicial para a saúde?

Um estudo da Universidade de Notre Dame, nos EUA, revelou que reduzir o número de mentiras melhora a saúde física e mental. Um grupo de pessoas, entre os 18 e os 71 anos (65% dos quais estudantes universitários), foi colocado à experiência por investigadores das áreas da psicologia e da estatística, tendo sido pedido a metade das pessoas que, durante dez semanas, deixassem de mentir. A restante metade não teve instruções especiais para seguir durante esse período de tempo.

Para reduzir o número de mentiras, os participantes deixaram de exagerar quanto a ações tomadas no seu dia a dia e de inventar justificações para atrasos, tendo também recebido instruções para não responder e desviar a conversa no caso de serem confrontados com perguntas às quais não quisessem responder verdadeiramente.

A saúde, bem como a satisfação nas relações pessoais sentidas por cada participante, eram avaliadas pelos investigadores no final de cada semana, sendo ainda submetidos a um teste de polígrafo com o objetivo de averiguar quantas mentiras cada um tinha dito.

No final do estudo concluiu-se haver uma relação entra a redução do número de mentiras e a redução do número de queixas de saúde. Por exemplo, alguém que, em média, tivesse dito menos três mentiras do que na semana anterior, apresentava menos quatro queixas relacionadas com problemas psicológicos e menos três queixas relacionadas com problemas físicos, como dores de cabeça ou garganta.

A melhoria a nível de relações sociais foi outra das consequências da diminuição de mentiras, algo que, segundo os investigadores, ajuda a melhorias na percepção da saúde.

Ficam aqui, então, alguns dos impactos negativos que a mentira tem sobre si:

  1. Os segredos levam-no ao limite
    Quando nos pedem para guardar um segredo evitamos pensar nele com o objetivo de não acabar por revelar tudo, o que, de acordo com a Universidade de Virgínia, contribui para que pensemos ainda mais no assunto;
  2. Os segredos distraem-no
    A Universidade de Virgínia divulgou que, estudantes a quem tinha sido pedido que guardassem um segredo, demoraram mais tempo a terminar um teste de computador, pois a informação ativa no cérebro distrai a pessoa;
  3. Os segredos prejudicam a sua saúde
    Pessoas que mantêm silêncio acerca de experiências perturbadoras, como traumas de guerra, estão mais sujeitos a desenvolver problemas de saúde. Por exemplo, um estudo revelou que os sobreviventes do Holocausto que falaram abertamente numa entrevista sobre as suas experiências tinham melhor saúde, passados 14 meses, do que aqueles que se mantiveram reservados e, de acordo com outro estudo, homens com o vírus da sida que negaram a sua homossexualidade morreram mais cedo que os que a assumiram.

No entanto, nem sempre é fácil fugir à mentira. Fique com algumas dicas para a evitar…

Confesse a verdade sempre que:

  • Alguém lhe pergunte diretamente;
  • A situação não é ainda má – quanto mais cedo, melhor;
  • O assunto está a dar consigo em louco – evite a tensão e a ansiedade que daí resultam.

Mantenha o silêncio se:

  • Está apenas à espera de uns dias para falar calmamente sobre o assunto;
  • O segredo não é seu;
  • Ninguém perto de si irá perguntar sobre o assunto – não há necessidade de falar sobre o assunto com quem não necessita de saber.

Agora já sabe, evite as pequenas mentiras desnecessárias e certos assuntos quando não tem que falar deles. Sentir-se-á melhor consigo próprio, contribuirá para o seu bem-estar e servirá como bom exemplo em casa para os seus filhos. Siga as dicas e sinta-se mais feliz e livre de preocupações.

 

Fontes:

  • Rui Carreteiro – “A mentira”
  • Público – “Mentir menos melhora a saúde”
  • Amy Rushlow – “How Lying Affects Your Health”