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Michael Mayer no Lux

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Supermayer – O artista alemão está de regresso à casa lisboeta. Na próxima sexta-feira, dia 8, um dos rostos da editora Kompakt e que mais contribuiu para a dança scene da última década, deve apresentar algumas temas do novo álbum, “Mantasy”.

Escrever sobre Mayer é ir impreterivelmente ao encontro de um dos nomes maiores da música eletrónica alemã, como significa ir direto ao coração da editora Kompakt. Se Berlim é uma cidade que rapidamente se associa como uma espécie de meca destas andanças, Mayer e a Kompakt reinam na cidade de origem deste (como artista), Colónia. Com uma agenda preenchida, Mayer divide o seu tempo entre os dias de semana que são dedicados aos assuntos de  fórum empresarial e dentro do seu escritório, para os seus concertos pelo mundo inteiro durante os fins de semana. No seu cartório estão incluídos remisturas bem conhecidas entre o público que aprecia o mundo da eletrónica, onde Mayer remistura de tudo um pouco: desde Pet Shop Boys a Kylie Minogue, de Depeche Mode a Gui Boratto, ou por outros nomes de peso como Paul Kalkebrenner (quem nunca ouviu “Sky and Sand” nos dias de hoje?) a Rufus Wainwright.

E, as casas que por onde passa, onde monta uma viagem às histórias que conta na cabine, encontram-se igualmente no mesmo pedestal real com que os nomes que trabalha: Fabric (Londres), Berghain/Panorama Bar (Berlim), Sónar (Barcelona), Rex (Paris) ou até mesmo, porque não dizê-lo, a Lux, são apenas alguns dos seus destinos de eleição – chegou a ser DJ residente em Londres – e os quais frequenta com bastante assiduidade.

Mayer encontrou a sua paixão pelo Djing bastante cedo e ainda no início da sua adolescência. Com apenas 14 anos, a trabalhar como estafeta de jornais, ganhou o suficiente para adquirir um mixer (mesa de misturas) e um conjunto de turntables (gira discos). Aos 18, depois de passar pelas festas de aniversários e pelas festas da escola, já chegara a DJ residente de uma conceituada discoteca de renome à época, embora tivesse que abandonar o navio a meio da viagem por passar “som pouco comercial” e demasiado “underground”.

Em 1993, deu-se o encontro que, 5 anos mais tarde, viria ser o ano do nascimento da Kompakt. A continuar como DJ e a tocar em várias cidades alemãs e a impor cada vez mais o estilo tecnho minimal, Mayer teve a astúcia e o descaramento, para, ao entrar numa loja de discos e com artigos da especialidade, a Delirium, mandar uns bitaites acerca da disposição de algumas secções. Lá dentro, estavam os donos da loja e quem viu imediatamente que a irreverência de Mayer não podia ser ignorada: falamos de Wolfgang e Reinhardt Voigt  (este último, já conhecido, em 1998).

A dimensão da Kompakt atualmente é bem diferente daquela que deu os primeiros passos mesmo ao virar do novo século. Começou como uma pequena produtora independente e que tinha como um dos mandamentos principais patrocinar e apoiar composições que fossem descartadas por não existir espaço para elas – um pouco à imagem da rejeição que havia ele próprio sofrido. Hoje, é constituída por um loja, uma distribuidora, um estúdio de gravação e uma agência promotora de eventos – e com cerca de 50 editoras discográficas com a sua assinatura.

Em 2004, no entanto, é um ano de celebração para Mayer. Depois de inúmeros concertos e espetáculos, lança o seu álbum de estreia, “Touch”. Categorizado com algo pós-minimal, é um disco com movimentos aleatórios e de misturas de house ou tecnho.

Oito anos volvidos, e muitos remixes e EP’s lançados (uns com o alias Supermayer), Michael Mayer está de regresso ao Lux Frágil para mais um DJ set que promete durar toda a noite e até altas horas da madrugada, ao estilo do que tem acontecido sempre que nos brinda com a sua presença – ainda estivera na Gare, no Porto, o ano passado. E com a experiência de viver in loco a recente jornada de Mayer, “Mantasy”.

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