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Ser mãe depois do cancro

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Quando à angústia do diagnóstico da doença, junta-se o medo de ver destruído o sonho da maternidade depois de combater o cancro. 

 

“Tem um cancro” é frase que ninguém quer ouvir e, quando se é jovem, parece uma possibilidade remota, uma vez que a maior parte das pessoas ainda associa a doença oncológica à meia-idade ou terceira idade. Mas, na verdade, de acordo com vários estudos recentes, as hipóteses de uma mulher poder vir a ter um cancro até aos 39 anos é de uma em cada 49 mulheres. Além disso, é frequente os tumores nestas idades serem mais agressivos e de pior prognóstico do que em idades mais avançadas, o que implica que o combate à doença seja feito com recurso a tratamentos de radioterapia ou quimioterapia de maior agressividade.

Estas terapias podem reduzir a fertilidade tanto da mulher como do homem ao destruir os óvulos e os espermatozóides. Mas se, no caso do homem, a produção de esperma poderá vir a ser retomada, o mesmo não acontece com os óvulos da mulher. De facto, os óvulos não se regeneram: a sua perda é permanente e pode ocorrer uma menopausa prematura como resultado do tratamento.

Quais as opções disponíveis?

Em teoria, a ASRM admite que existem três formas de dar resposta a esta situação  e manter a fertilidade na mulher após o tratamento:

– A supressão da ovulação antes de iniciar a terapia – com a toma da pílula ou outras formas de supressão hormonais. Em teoria, a supressão da ovulação pode proteger os óvulos contras os efeitos adversos da quimioterapia e radioterapia, mas há poucas provas dos acerca dos efeitos concretos deste método.

– A congelação de óvulos – esta tecnologia continua ainda em investigação, é dispendiosa, invasiva e pode implicar o atraso do início do tratamento do cancro. Sendo usada, os óvulos são colhidos como para uma fertilização in vitro (FIV), mas são congelados antes de serem fertilizados. Em teoria os óvulos congelados podem ser armazenados e depois descongelados, fertilizados e usados para ser feita uma transferência de embriões. O sucesso atual deste método é no entanto um pouco limitado e nasceram poucos bebés através desta técnica.

– Congelação de tecido dos ovários – é ainda uma técnica experimental que implica uma cirurgia para remover tecido, que uma vez congelado pode ser conservado durante anos. Estudos preliminares mostram que quando é reimplantado sobrevive e é funcional durante algum tempo. A eficácia atual é, no entanto, muito baixa.

Essa é de resto a palavra de ordem. Eficácia. As técnicas atuais para resposta à preservação de fertilidade carecem de mais desenvolvimento e estão numa fase em que a eficácia é muito inicial.

Em alternativa, pode ser encarada a possibilidade de congelação de embriões, técnica estabelecida e padronizada há anos, cuja eficácia é muito superior à da congelação de ovócitos. Tal implica obviamente a existência de um parceiro masculino que dê o seu consentimento a essa técnica.

Mas, quer a congelação de ovócitos quer a congelação de embriões necessita de tempo para se proceder à estimulação dos ovários e recolha dos ovócitos. Mas a verdade é que muitas vezes não há esse intervalo de tempo mínimo (algumas semanas) entre o diagnóstico e o início da quimioterapia

 

Ser mãe depois do cancro
Toda a doente oncológica deve ser informada sobre os possíveis efeitos que a doença e o tratamento podem vir a ter na sua fertilidade futura, sendo que as doentes interessadas em preservar a fertilidade devem ser encaminhadas para um centro de medicina de reprodução onde estas técnicas sejam praticadas o mais rapidamente possível, já que, como vimos, o tempo é um facto crítico neste processo.

Embora as opções atualmente disponíveis em oncofertilidade estejam longe de garantir bons resultados, a investigação avança todos os dias no sentido de dar uma resposta mais eficaz às pacientes com cancro.