Início Bem Estar Sexting cada vez mais presente entre os jovens

Sexting cada vez mais presente entre os jovens

129
0
Sexting cada vez mais presente entre os jovens

A moda parece ter vindo para ficar. A partilha de conteúdos sexuais via telemóvel está cada vez mais presente nos hábitos dos jovens.

 

Sexting é o nome dado à partilha de conteúdos (mensagens escritas, imagens ou vídeos) de teor erótico, através de telemóvel ou da internet, e está cada vez mais presente entre os jovens.

O Centro de Investigação de Crimes Contra Menores da Universidade de New Hampshire, que publicou o primeiro estudo nacional dos EUA sobre o sexting, avisa que “autoridades públicas, legisladores e educadores enfrentam um aumento do número de jovens que se autoretratam durante as relações sexuais e ainda uma minoria que grava essas imagens e depois as divulga, tanto pelo telemóvel como pela Internet”.

A possibilidade desses conteúdos chegarem às mãos de desconhecidos é um facto que não pode ser esquecido, sendo a privacidade dos adolescentes colocada em causa e, de acordo com especialistas, ficando estes vulneráveis a perseguições e chantagens.

A revista Pediatrics publicou um estudo que abrangeu 1500 adolescentes com idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos. Estes, para além de um questionário generalista, responderam a cinco questões relacionadas com sexting: “Alguma vez te enviaram fotos e vídeos de menores de 18 anos nus, ou seminus?”, “Já reenviaste alguma imagem de um menor?”, “Já foste fotografado sem roupa?”, “Alguém te fotografou?” e “Alguma vez tiraste uma foto de menores nus?”.

Sexting cada vez mais presente entre os jovens

Foi possível observar que 10% dos inquiridos admitiram ter fotos suas sem roupa, terem contribuído para a sua realização e terem recebido fotos de outros menores, no último ano. Pelo menos 39 jovens revelaram ter-se fotografado a si próprios nus e enviado as imagens, tratando-se, na sua maioria, de raparigas entre os 16 e os 17 anos de idade.

Os investigadores explicam que, de acordo com os adolescentes, o principal motivo de tais ações prende-se com a curiosidade. Uma das jovens afirmou “não tinha namorado e sentia curiosidade de saber o que outras pessoas achariam do meu corpo”, no entanto, “a maioria reconhece que o fez como parte de uma relação amorosa”. Foi ainda possível observar que 30% dos jovens inquiridos tirou ou enviou fotos suas sem roupa sob o efeito de álcool e/ou drogas.

Um outro estudo, publicado no Cyberpsychology, Behavior and Social Networking, centrou-se nos hábitos de sexting de 1034 estudantes do 10º ano. Este concluiu que mais de 20% dos inquiridos já tinham enviado algum tipo de conteúdo que envolvesse nudez e mais de 30% admitiu já ter recebido.

Outros estudos já revelaram também que as mulheres são as que mais enviam “sexts”.

Os investigadores asseguram que é fundamental uma compreensão do fenómeno de sexting para que se tenha uma melhor visão dos adolescentes, tanto relativamente ao seu comportamento sexual, como à sua saúde no geral.

No passado mês de Fevereiro, a deputada britânica Claire Perry, especialista em assuntos relacionados com crianças, alertou para o facto de que jovens de apenas 11 e 12 anos já praticavam sexting, recorrendo às redes sociais para enviar mensagens de conteúdo sexualmente explícito, divulgando ainda que é cada vez mais comum os jovens dessas faixas etárias fotografarem os seus órgãos sexuais e enviarem as respetivas imagens às raparigas. Claire revelou que o sexting está bastante presente no Facebook e que este lançou recentemente uma app que facilita a prática, permitindo aos utilizadores do iPhone o envio de mensagens que se autodestroem em dez segundos.

De acordo com um outro estudo publicado na Pediatrics, em 2012, o sexting não é visto pelos adolescentes como uma alternativa ao “sexo real”. Eric Rice, principal autor do estudo, afirma que “Os adolescentes que se arriscam no sexo digital, através da prática de sexting, são os mesmos que se arriscam sexualmente com os seus corpos, sendo sexualmente ativos e não usando preservativos”. Eric acrescentou ainda que os jovens que admitiram praticar sexting tinham sete vezes mais probabilidade de ser sexualmente ativos que os que não o praticavam. O investigador afirma ainda que, segundo o estudo, se um jovem descobre que os amigos enviam sexts, é 17 vezes mais provável que também o venha fazer.

É importante estar alerta para os perigos do sexting, não apenas por este estar associado a práticas sexuais de risco, mas também devido ao facto de o conteúdo poder sempre chegar à mão de pessoas indesejadas.

 

Fontes:

  • Expresso – “Aumenta o número de adolescentes que fazem sexting”
  • Scientific American – “Sexting Habits of Teens”
  • Diário Digital – “Sexting: Deputada alerta que crianças de 11 anos já trocam mensagens de conteúdo sexual”
  • CNN – “Teens who ‘sext’ more likely to be sexually active”