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Só sou milionário quando estou no palco

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Só sou milionário quando estou no palco

A peça “Pobre Milionário” é uma comédia ao estilo Francês e estará em palco até dia 27 de Abril em Lisboa e depois segue para o Porto.

 

Encontrámo-nos com o ator umas horas antes de mais um espetáculo, um dia como tantos outros na sua já longa vida de ator. Uma vida por vezes monótona mas que não trocava por nenhuma outra. A peça “Pobre Milionário” é uma comédia ao estilo Francês e estará em palco até dia 27 de Abril em Lisboa e depois segue para o Porto. Uma oportunidade para ver Miguel Guilherme onde mais gosta de estar, em palco.

Complexo Magazine: A peça “Pobre Milionário” é quase um espelho da nossa atual situação?
Miguel Guilherme: Pode dizer-se que está alinhada com a realidade, fala-se na crise, de uma sociedade onde há gente muito rica e gente muito pobre, mas no final é uma comédia, é uma brincadeira. Uma brincadeira séria, onde se fala do poder do dinheiro, da diferença entre o “ser” e o “parecer”, acaba por ser uma comédia mais moralista. A fala de como uma aparente mudança de estatuto pode trazer uma mudança brusca de relações sociais.

C.M.: Um pouco como a nossa sociedade…
M.G.: Exato. A crise mantêm-se mas já era de esperar. A situação era explosiva, o país não tinha dinheiro a bancarrota era inevitável. Mas a culpa não é só destes tipos, é de todos os que lá estiveram antes, que sabiam o que estava a acontecer e não fizeram nada.

C.M.: E acredita que as coisas vão mudar?
M.G.: Nunca assisti a uma crise a todos os níveis como está a ser e a nossa realidade está a mudar, brutalmente mas está a mudar. Não sei é se é para bem ou mal.

Só sou milionário quando estou no palco

C.M.: A peça está em palco no casino de Lisboa, para muitos um local de sorte. Acredita na sorte?
M.G.: Não, acredito que o casino ganha sempre. Aqui acho que é mais uma questão de vicio do que sorte. Quem ganha por acaso normalmente não regressa.

C.M.: E é preferível ter sorte ao jogo ou ao amor?
M.G.: Não percebo nada de jogo! De amor percebo um bocadinho, mas pouco. Mas acho preferível ter sorte no amor. Ambos são voláteis (na maior parte dos casos), mas prefiro as pessoas ao dinheiro apesar de tudo.

C.M.: A sua página no Facebook não tem muita actividade. Não é fã?
M.G.: Perde-se muito tempo no Facebook.

C.M.: Acha que é tempo perdido?
M.G.: Não, isso não, mas prefiro passar o meu tempo a fazer outras coisas.

C.M.: Como por exemplo?
M.G.: Trabalhar, viajar, ler e estar com as pessoas, mas ao vivo.

C.M.: E é fã das novas tecnologias?
M.G.: Gosto muito, mas sou mero consumidor de aplicações, comprei um iphone e um ipad. Facilita muito a vida sem dúvida. Com o Skype por exemplo consegue-se falar com quem se gosta, com som e imagem, e que pode estar no outro lado do mundo.

C.M.: Acredita em relações virtuais?
M.G.: Sim, claro. Relações virtuais que depois podem ser pessoais. Hoje tudo é possível. Pode ser um quebra gelo.

Só sou milionário quando estou no palco

C.M.: Pela sua página de Facebook vê-se que é fã de Nova Iorque.
M.G.: Sim, um pouco. Fui duas vezes e gostei. Mas queria estar lá uma temporada, mínimo um mês. É uma cidade onde não te sentes estrangeira.

C.M.: Trabalho ou lazer?
M.G.: Para mim trabalho é lazer.

C.M.: Deve ser ter encontrado alguns portugueses por lá?
M.G.: Onde é que não se encontram portugueses?!

C.M.: Quando está fora é reconhecido pelos portugueses na rua?
M.G.: Sim, às vezes. Em Londres, no metro, enquanto aguardava a chegada das carruagens uns portugueses começaram a abanar os braços e a chamar-me a atenção. Graças a Deus estavam do outro lado da plataforma.

C.M.: Tem receio quando o abordam?
M.G.: É sempre um risco. Depende muito das pessoas, há pessoas muito agradáveis e outras nem por isso.

C.M.: é conhecido pelo seu trabalho em tv, teatro e cinema. O que o fascina mais?
M.G.: Teatro, como ator. Gosto muito de fazer televisão e cinema, mas a minha matriz é o teatro. É onde tenho mais oportunidades de descobrir, de construir. Aprendo imenso no teatro.

C.M.: Descobriu o teatro quando estava na faculdade, foi por acaso?
M.G.: Um amigo falou-me de um curso de teatro na Comuna e fui por curiosidade. Depois fui gostando e partir de certa altura achei que podia ser a minha profissão.

C.M.: É uma profissão de risco?
M.G.: Senti isso mais ao principio, mas depois consegui fazer disso a minha profissão a tempo inteiro. Viver somente da vida de ator. Mas no teatro nunca há certezas.

C.M.: É uma vida desafiante?
M.G.: Eu diria mais monótona. É muito rotineira.

C.M.: O que o teatro lhe dá de positivo?
M.G.: A oportunidade de brincar. De estar sempre a brincar. Embora haja alturas em que a pessoa cansa-se do que está a fazer.

C.M.: Sendo o seu nome Miguel Guilherme G. Neves de Almeida, porque a escolha de “Miguel Guilherme”?
M.G.: Foi o que respondi quando me perguntaram que nome artístico queria usar. Se fosse hoje teria escolhido Miguel Neves de Almeida ou teria inventado um nome. É mais divertido. Teria criado um personagem completo.