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Trabalho dificulta vida familiar

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Trabalho dificulta vida familiar

Um grande obstáculo que interfere no desempenho das mulheres nas empresas é a maternidade

 

Até ao século XX, a mulher era vista apenas como um utensílio que tinha como únicas utilidades engravidar, criar e educar. Não tinham poder de escolha/decisão em nada nas suas vidas, nem o marido podiam escolher, limitando-se a serem escolhidas. As suas obrigações eram venerar o marido, educar e criar os filhos, cuidar da casa e manterem-se submissas ao seu marido.
Em Portugal, o Estado Novo esforçou-se por conservar a mulher no seu posto tradicional, como mãe e dona de casa. A Constituição de 1933 estabeleceu o princípio da igualdade entre cidadãos perante a Lei, mas com algumas exceções. A mulher via-se, assim, relegada para um plano secundário na família e na sociedade em geral. A lei portuguesa designava o marido como chefe de família, de onde resultava uma série de incapacidades para a mulher casada, contrariamente à mulher solteira, que era considerada cidadã de plenos direitos: a mulher não tinha direito de voto, a mulher não tinha possibilidade de exercer nenhum cargo político e, mesmo em termos da família, a mulher não tinha os mesmos direitos na educação dos filhos. Nesta altura, a Lei atribuía à mulher casada uma função específica: o governo doméstico, que se traduzia pela imposição dos trabalhos domésticos como obrigação. Outro dos problemas que a mulher enfrentava na altura acontecia nas situações de reconstituição da família. O divórcio era proibido, devido ao acordo estabelecido com a Igreja Católica na Concordata de 1944, pelo que todas as crianças nascidas de uma nova relação, posterior ao primeiro casamento, eram consideradas ilegítimas. Havia, então, duas alternativas no ato do registo: ou a mulher dava à criança o nome do marido anterior ou assumia o estatuto de “mãe incógnita”. O que não podia era dar o seu nome e o do marido atual.
Trabalho dificulta vida familiarAtualmente, as mulheres constituem uma parte importante da mão de obra no mercado de trabalho e, inversamente ao que acontecia no passado, poucas são agora as que ficam em casa. Porém, hoje o grande desafio  das mulheres é conciliar vida familiar com os projetos profissionais .
O caminho do sucesso no mundo dos negócios é tortuoso para homens e mulheres, mas elas são obrigadas a enfrentar alguns obstáculos a mais. Um desses obstáculos está ligado à ascensão profissional. Outro obstáculo que interfere no desempenho das mulheres nas empresas é a maternidade.
Para muitas mães, cada dia torna-se mais difícil conciliar trabalho e educação dos filhos.  Muitos sentem-se frustrados, culpados e impotentes, devido à falta de tempo para estarem junto dos filhos, por se verem forçados a entregar a sua educação aos cuidados de terceiros, por não poderem participar dela e acompanhá-los mais de perto nas suas atividades.
Apesar de ser inquestionável que essa “cedência” repercute na formação da identificação das crianças, o certo é que elas acabam por se adaptar.
Temos de perceber que não podemos satisfazer as necessidades de toda a gente no momento em que precisam. O tempo e energia são limitados. É impossível respondermos a todas as exigências, que, por vezes, aparecem vindas de todo o lado, e mantermos o equilíbrio entre os dois mundos.
Um estudo realizado pela Universidade Católica afirma que metade dos portugueses considera que o trabalho dificulta a vida familiar e dois terços assumem mesmo ter dificuldades em conciliar a vida profissional e a vida familiar. O inquérito  foi realizado a 800 pessoas e revela também que o equilíbrio entre o trabalho e a família é um aspeto importante para 66% dos portugueses. No que toca à dificuldade em conciliar as esferas familiar e profissional, não há grandes diferenças entre homens e mulheres: 59 por cento dos homens e 69 por cento das mulheres queixam-se de não conseguir fazê-lo.
Quando questionados sobre as medidas de conciliação entre trabalho e família que encontram nas empresas onde trabalham, a maioria dos portugueses garantiu conhecer o horário de trabalho flexível, o regime de turnos e o estatuto trabalhador/estudante. No que se refere à legislação, as medidas que os portugueses conhecem melhor são os subsídios sociais de maternidade, o abono de família, o abono de família pré-natal e a dispensa para amamentação. No entanto, o apoio e o acesso a cuidados médicos é, para a maioria, a medida considerada mais importante para melhorar a conciliação familiar e profissional.

Deste modo, deixamos aqui algumas dicas para conseguir conciliar os dois mundos:

  • Nunca leve a família para o trabalho e vice-versa;
  • Tenha uma boa convivência familiar;
  • Almoce em casa;
  • Organize o horário dos filhos com o seu;
  • Utilize a tecnologia para falar com os filhos;
  • Negocie uma flexibilidade no trabalho.

Fontes:

  • The Atlantic -“Why 43% of Women With Children Leave Their Jobs, and How to Get Them Back”
  • Jornal de Notícias – “Como conciliar família e emprego?”
  • Ionline – “Portugueses não sabem conciliar trabalho e família”

 

 

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