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Tradutor do memorial de Mandela nos British Comedy Awards

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Tradutor do memorial de Mandela nos British Comedy Awards

Paul Whitehouse marcou os British Comedy Awards ao satirizar o tradutor do memorial de Nelson Mandela.

 

As cerimónias fúnebres de Nelson Mandela ainda nem sequer chegaram ao fim, mas mais do que a celebração da vida do histórico líder negro ou os emocionados discursos dos vários líderes mundiais, a semana de homenagem a ‘Madiba’ está a ser marcada pelo tradutor de língua gestual contratado para as cerimónias de terça-feira no estádio de ‘Soccer City’, que foram transmitidas para todo o mundo.

Thamsanqa Jantjie era o tradutor de linguagem gestual do evento, que deveria ter assegurado que os surdos-mudos pudessem perceber os belos discursos proferidos durante a cerimónia. No entanto, espetadores surdos e instituições de solidariedade queixaram-se da tradução, dizendo que os gestos feitos por este homem eram ‘arbitrários’ e que ‘não faziam qualquer sentido’.

Tradutor do memorial de Mandela nos British Comedy Awards

Tendo os britânicos o seu humor muito próprio, o episódio não poderia ter falhado nos ‘British Comedy Awards’, que tiveram lugar a noite passada. Ao aceitar o prémio para ‘Melhor Programa de Sketch’, por ‘Harry + Paul’, o comediante Paul Whitehouse levou consigo para o palco um homem negro, que ia fazendo gestos arbitrariamente enquanto ele falava, naquela que foi considerada ‘a piada da noite’.

‘Trouxe o meu tradutor comigo’, disse Whitehouse no início do discurso, referindo-se ao incidente, acrescentando, ‘Fui o primeiro a fazê-lo e vou voltar mais logo’. O ator, tal como os espetadores presentes riam-se durante o discurso, enquanto o homem que estava ao seu lado gesticulava.

A reação à piada nas redes sociais foi entusiástica, com espetadores do programa, que foi transmitido no ‘Channel 4’ a comentarem que ‘Foi absolutamente genial. Bem feito e comicamente brilhante’ e que ‘foi de longe a melhor piada da noite!’

Entretanto, o assunto continua a causar polémica na África do Sul. Thamsanqa Jantjie afirmou, no rescaldo do evento, que o lapso ocorreu devido a um ‘ataque de esquizofrenia’, em que terá começado a ouvir vozes que o confundiram, mas que toma medicação para o problema e não sabe o que terá provocado o ataque durante o importante evento.

Já ontem, a Ministra Sul-Africana das Mulheres, Crianças e Deficientes afirmou, em conferência de imprensa, que ‘a segurança do evento nunca esteve em causa’, mas que a preocupação na contratação deste tipo de serviços ‘é a qualidade dos mesmos e a capacidade da pessoa os desempenhar, não sendo questionadas eventuais doenças mentais’, mas também que o acesso do tradutor ao evento está a ser averiguado.

O funeral de Mandela terá lugar no domingo, na sua terra natal, Qunu.