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Desportos radicais, adrenalina e vício

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Desportos radicais, adrenalina e vício

Saiba por que razão os desportos radicais atraem tanto, podendo tornar-se um vício para quem os pratica.

 

A adrenalina é uma hormona produzida em resposta ao stress. Quando produzida, aumenta o ritmo cardíaco, abre as passagens de ar, contrai os vasos sanguíneos e estimula a nossa “resposta de luta ou fuga”. Quando nos deparamos com situações de perigo, é esta sensação que nos relembra que estamos vivos e são estes momentos (como saltar de um avião com um pedaço de pano que nos assegura que não iremos morrer) que se tornam inesquecíveis.

Viver no limite

A oferta de experiências destinada a pessoas comuns que desejam viver no limite tem vindo a crescer devido à sua crescente procura. Estas atividades envolvem perigo e risco, muitas vezes devido a altas velocidades, alturas exorbitantes, condições extremas ou, na maioria das vezes, uma combinação de tudo isto.

Desportos radicais, adrenalina e vício
Surf
Desportos radicais, adrenalina e vício
Escalada

Para aqueles com menor orçamento, o ciclismo montanhoso, o surf e a escalada são algumas boas opções, pois apresentam algum perigo e não são atividades caras. Para além disso, são uma excelente maneira de se manter em forma. Caso não se importe de despender um pouco mais, as opções são imensas: salto de paraquedas, parapente, bungee jumping e asa delta são exemplos de atividades que podem ser realizadas sem grande treino, pois, na maioria dos casos, terá um instrutor consigo ou receberá previamente a instrução necessária.

Desportos radicais, adrenalina e vício
Bungee jumping
Desportos radicais, adrenalina e vício
Salto de paraquedas

Também os desportos motorizados podem fazer o seu coração saltar e, para além do aumento de adrenalina, ainda pode ajudá-lo a melhorar significativamente as suas habilidades condutoras. Mas se pretende elevar ainda mais o nível, existem ainda atividades como o kiteboard, o windsurf, o base jump ou o ski e snowboard extreme. Estas exigem um maior investimento, quer de tempo, quer de dinheiro, equipamento e sacrifício, mas estas são também atividades que se podem tornar uma paixão para a vida.

Mas já alguma vez se questionou por que razão este tipo de desportos prende tanto, faz com que as pessoas se apaixonem, não conseguindo deixá-los, tornando-se mesmo viciantes? O vídeo seguinte, “Yearbook”, realizado pela Matchstick Productions, poderá elucidá-lo relativamente ao que os seus praticantes sentem e porque se apaixonam por estas atividades.

Renato Miranda, licenciado em Educação Física e doutorado em Psicologia do Desporto, afirma que “os atletas de desportos radicais (paraquedismo, surf, ski, etc.) gostam de sentir os efeitos da adrenalina e da noradrenalina (embora digam que é “adrenalina pura!”). Noutras palavras, gostam porque sabem que o medo pode ser controlado em forma de alerta e euforia, pois têm consciência do plano de ação e dos movimentos que precisam realizar. Para eles, a adrenalina passa a ser um estimulante natural e o corpo fica potencializado para a acção”.

O Dr. Michael Davis, um neurocientista da Universidade de Emory e especializado no medo, explica o sentimento de adrenalina nos desportos radicais: “o medo é uma emoção incrivelmente forte”, acrescentando “se algo nos assusta, o organismo imediatamente produz endorfinas, dopamina e norepinefrina. As endorfinas aliviam a dor, enquanto a dopamina e a norepinefrina melhoram o desempenho. Ainda não existem estudos directos sobre os tão chamados desportos radicais, mas, de acordo com o pensamento científico, quanto mais medo determinado desporto nos causa, maior será a libertação destes químicos. Quanto maior a libertação destes químicos, maiores os sintomas de adição”.

A dependência

Para melhor entender a natureza aditiva destas atividades, lembramos que a cocaína, que é considerada a substância mais aditiva de sempre, não faz mais do que inundar o cérebro com dopamina. Por outro lado, a norepinefrina reproduz a segunda droga mais aditiva de sempre: o speed. No entanto, é importante referir que a endorfina produzida pelo nosso organismo é 100 vezes mais potente (e, por isso, também mais aditiva) do que a morfina. Assim sendo, percebe-se a razão por que os neuroquímicos produzidos na prática de desportos radicais são tão mais potentes que qualquer droga. De acordo com o Dr. Greg Berns, também especialista da Universidade de Emory, o problema com a prática de desportos radicais é que, para quem é viciado na adrenalina, necessita de correr risco para obter a sensação esperada e o organismo acaba por se habituar ao risco, o que significa que, tal como os consumidores de drogas necessitam de consumir cada vez mais para atingir a sensação desejada, os praticantes de atividades radicais necessitam de elevar cada vez mais o risco a que se expõe, de modo a obter o mesmo efeito.

O excesso de adrenalina

Michael Platt, médico do bem-estar e especialista em hormonas bioidênticas, alerta para o facto de que “o excesso de adrenalina pode originar diversos problemas de saúde, que raramente são associados ao hiperadrenalismo. Por exemplo, pessoas com dificuldades em adormecer, que acordam diversas vezes durante a noite ou que possuem um sono inquieto, dando muitas voltas na cama – são sintomas associáveis à adrenalina.”. O especialista acrescenta ainda que a adrenalina é conhecida como a hormona da “luta-ou-fuga” e que isto significa que as pessoas podem, muito rapidamente, irritar-se e experienciar momentos de raiva e, muitas vezes, o excesso de raiva leva à necessidade de beber demasiado, consumir drogas ou fumar excessivamente, apenas para relaxar.

 

Fontes:

  • Rubel Zaman – “Insider Guide to Adrenaline Sports”
  • Steven Kotler – “The Addictive Nature of Adrenaline Sports”
  • Michael Platt – “The Health Consequences of Too Much Adrenaline”
  • Renato Miranda – “Por que esportes radicais atraem tanto?”
  • eHow brasil – “Por que esportes radicais atraem tanto?”

 

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