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Garbo Divina

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Garbo Divina, é um espetáculo criado e visualizado por Bruno Portela e Roberto Cordovani, que visa a vida pessoal da atriz da era de ouro de Hollywood. Em cena, no Casino Estoril.

 

Estreado no passado dia 15 de março, no Auditório do Casino Estoril e com encenação até ao próximo dia 7 abril, a peça convida e dá a conhecer o lado (e o carisma) mais pessoal da atriz Greta Garbo e que durante muitos anos se manteve refém de Hollywood.

Greta Garbo é um nome incontornável da sétima arte. Quer se tenha visualizado ou não algum filme em que participou, pelo menos é quase um denominador comum saber que fez parte do glamour de Hollywood; ou se nem assim, o nome soa familiar. Contudo, saber mais que isso, com ou sem pesquisa, poderá ser tarefa complicada. Especialmente se procurar informação pessoal.

Nascida Greta Lovisa Gustafsson em Estocolmo, na Suécia, Garbo faz parte daquela beleza polida e quase angelical vinda das terras do norte; com um uma estrutura óssea quase desenhada a esboço, o seu rosto sobressaía e enchia todo o ecrã e marcava uma reverência nos planos dos seus realizadores.

Dos seus 84 anos de vida, porém, não teve uma carreira longa de várias décadas como acontece em alguns nomes que hoje conhecemos. Até porque no tempo mudo, havia um tempo para as atrizes “expirarem”: dez anos de sucessos e de carreira, dizia-se que era o máximo que o público “aguentava” sem que reclamasse uma cara fresca e nova. A sua carreira em Hollywood durou cerca de 20 anos, mas coincidiu com a época de ouro e de glamour das estrelas do cinema. Assim que fora descoberta (e vista) pelo patrão da Metro Goldwyn Mayer (MGM quem não nunca viu um filme com o rugir do leão no início do filme?), Louis B. Mayer, que Garbo, num espaço de poucos anos passou de atriz da escola (The Royal Dramatic Theatre’s Acting School, na cidade natal) para a ribalta. Em 1924, em The Saga of Gosta Berling, de Lars Hanson, foi o que bastou para conquistar Mayer, que a quis levar  para os estúdios e assinar um contracto de exclusividade.

A sua chegada a Hollywood não foi fácil. Não falava a língua, sentia dificuldades em comunicar com os realizadores e era considerada …gordinha. É sabido que, culturalmente, o povo nórdico é atlético e de um ponto de vista meramente estético e de palco (tela), o peso de Garbo, à chegada, para os parâmetros do estrelato norte-americano e da indústria, seria considerado excessivo – caso para convocar uma nutricionista na agenda da recém-chegada. Com 1,71 de altura, a atriz chegou a pesar 55 ou 56 kg nos seus tempos áureos. E, tudo isto, já em 1925/26.

O seu primeiro filme nas terras do Tio Sam, Torrent (1926, Monta Bell), não se saiu mal na bilheteira e foi aceite pela crítica. Assim como a sua performance fora elogiada – para aqueles que são cépticos quanto à vampiragem que hoje invade as salas de cinema, até a própria Garbo começou a carreira na indústria dando vida a um espécime de dentes afiados. 

Estamos ainda no tempo dos filmes mudos, onde a expressão e a linguagem corporal dos atores substituia as palavras e eram complementados pelas legendadas. Foram no total dez filmes deste género em que Garbo participou. Aquele que a catapultou, porém, e de forma definitiva para a ribalta e que a meteu debaixo dos holofotes, terá sido mesmo Flesh and the Devil (1926), com John Gilbert (com quem viria a ter um romance intermitente) em que a sensualidade e fugacidade da beleza com que roubava atenção do espetador nas cenas amorosas, foi o suficiente para que os norte-americanos fosse brindados com algo nunca antes visto. Somente dois anos mais tarde, em 1928, já era a estrela dos estúdios da MGM e que mais fazia render no box office. Garbo era sinónimo de beleza, estrelato e sucesso.

Em 1930, dava-se o salto para uma das mais emblemáticas temporadas em torno de Hollywood e que catapultou para outra a dimensão o star system que hoje ainda se mantém, e que tanto faz para tirar proveito das vedetas. O seu primeiro primeiro filme falado nesta era dourada, fora Anna Christie e que lhe valeu a sua primeira nomeação para um Óscar da Academia; o resto, é história. Grand Hotel (1932), Queen Christina (1933) entre outros, continuaram a dar vida a Garbo na indústria e a construir um ícone e a cravar um lugar marcado no estudo das origens da 7ª arte. Até fazer Two-Faced Women (1941 de George Cukor), uma comédia romântica, fraquinha e em que a crítica não perdoou e que, em parte, serviu para Garbo terminar a carreira mais cedo e se retirar aos 36 anos.

Os anos seguintes, até 1948, marcaram significativamente a vida de Greta Garbo. A Segunda-Guerra Mundial (1939-45) na Europa, e a falta de entusiasmo da vida que a Hollywood lhe propulsionava, fizeram com que tomasse escolhas que passaram desconhecidas ao público, mas que transportam o lado humano desta estrela para um nível atípico e pouco habitual. E é precisamente aqui que a peça de Bruno Portela e Roberto Cordovani tenta entrar: no mundo privado e dar a conhecer um lado para além daquilo que se pode ver nos seus filmes. As entrevistas, ao longo de uma vida inteira, foram pouco mais de 10/15 (e diz-se que algumas delas contrariada). Não teve filhos, nunca casou e assumia uma postura relativamente aos relacionamentos bem ao estilo dos países escandinavos, tão racional e simples, na medida em que existem historiadores que afirmam que Garbo se relacionou intimamente quer com mulheres, quer com homens. Da vida privada, nunca se soube grandes detalhes. Conseguiu esconder o fato que lutou com sucesso contra o cancro da mama, em 1984, assim como nunca se viram confirmadas as suspeitas de ter ajudado o FBI na Segunda Guerra Mundial, em viagens ou missões secretas na sua terra Natal, Suécia. Viveu e conheceu a monarquia e realeza do Mónaco, jogou cartas com Churchill, assim como precisou sempre de um apoio masculino para colmatar a perda da figura paterna desde tenra idade.

Embora conte com 4 nomeações da Academia, Greta Garbo nunca ganhou nenhum Óscar enquanto esteve na carreira ativa; só mais tarde, em 1954, é que foi condecorada com um Óscar Honorário pelo trabalho. Não apareceu na cerimónia. Mudando-se para Nova Iorque depois de terminar a carreira, a cidade que nunca dorme passou a ser a sua morada oficial até Abril de 1990, onde acabou por falecer aos 84 anos de vida.

Para descobrir mais sobre a vida da atriz, não perca o espetáculo no Auditório do Casino de Estoril, até dia 7 de abril, da autoria de Bruno Portela e Roberto Cordovani e que dão a conhecer estas e outras histórias daquela que é e foi considerada uma das maiores estrelas e uma das mulheres mais bonitas do nosso planeta.

Mais info:

Bilhetes
– Vendas na bilheteira do Casino Estoril: 1 hora antes do espectáculo
Público em geral – 15 euros.
Estudantes e maiores de 65 anos – 10 euros.
– Reservas antecipadas em www.citartelivre.tk (10 euros)
– Vendas promocionais no site LetsBonus.com – 50% desconto (7,50 euros)

Horário:
Sextas-Feiras e Sábados às 21h30
Domingos às 17h00

M/18

1 COMENTÁRIO

  1. […]  ‘Garbo Divina‘ é uma peça protagonizada por Roberto Cordovani e Bruno Portela. Estreada no passado dia 15 de março, estará em exibição no Auditório do Casino Estoril até dia 7 de abril. Partilhando histórias acerca do passado escondido da atriz nascida sueca e tornada ícone da era de ouro de Hollywood, a dupla dá a conhecer um lado desconhecido de Greta Garbo. Sexta e sábado às 21h30; domingo às 17h.  Preços: geral, 15€; estudantes e seniores, 10€. Bilhetes a serem adquiridos uma hora antes do espetáculo. […]

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